26 fevereiro, 2012

O diário de Anne Frank- Uma adolescente a quem foi tirada a liberdade

 

Gênero: Literatura Estrangeira / Biografias e Memórias
Autor: Anne Frank
Sinopse (retirada do livro): "12 de junho de 1942 - 1° de agosto de 1944’’. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de muitos dias  sildeêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente seguiu para Auschwitz e mais tarde para Bergen-Belsen."

O diário de Anne Frank é um relato que já emocionou milhões de pessoas no mundo inteiro.
Anne foi uma adolescente alemã de origem judaica. Em 1933, a sua família refugiou-se na Holanda para encontrar paz, mas não esperavam que a guerra se intensificasse. 

Anne Frank é mundialmente conhecida graças ao diário que ganhou do pai no dia do seu aniversário de 13 anos.
''Espero poder confiar em ti como nunca confiei em ninguém e que venhas a ser um grande apoio e um grande conforto para mim''. Foi assim que Anne começou o seu diário, e como ela queria que o diário fosse antes de tudo uma amiga, neste caso imaginária, deu-lhe o nome de Kitty e escrevia as experiências do período em que sua família se escondeu da perseguição aos judeus dos Países Baixos.  
Uma das coisas que achei muito interessantes neste livro é que embora ela tenha vivido em 1942, tinha as características de muitas adolescente dos dias de hoje. Anne tinha uma relação conflituosa com a mãe, sentia-se menos bonita e prestável que a irmã mais velha e sentia sem esconder em nenhuma passagem do seu diário uma grande admiração pelo pai. 

Em julho de 1942, abrigaram-se nos cômodos secretos de um edifício comercial e chamavam de ''Anexo Secreto''. Já no esconderijo, Anne ouviu uma transmissão radiofônica que incentivava as pessoas a documentar os eventos ligados à guerra, pois isso teria futuramente um alto significado, esta notícia fez com que ela mudasse o rumo do seu diário e começasse a relatar cada dia no esconderijo onde morava com os seus pais, a irmã e uma segunda família que era composta pelo Sr. Van Daan, a sua esposa e o filho Peter por quem Anne apaixonou-se. 
No diário Anne deixava bem claro a sua indignação e revolta, ela não percebia o motivo de tanta guerra contra os judeus e todos aqueles que Hittler não chamava de ''raça ariana''. Mesmo antes da guerra, os ''não arianos'' não tinham liberdade para nada, numa passagem do livro Anne revela que: ''Os judeus só podiam fazer compras das 3 às 5 horas e só em lojas judaicas. Não podiam praticar desporto, ir ao teatro ou cinema nem frequentar lugares de divertimento. Não podiam sair à rua depois das 8 da noite e nem sequer ficar no quintal ou na varanda.''.
Eles viviam numa verdadeira prisão – ''Já nem tenho coragem de fazer mais nada, porque tenho medo que seja proibido''  (Palavras de Jopie, amiga de Anne)

No diário ela registava cada momento vivido no Anexo Secreto, as discussões, alegrias, a saudade, os sonhos, a sua paixão por Peter, o despertar da sua sexualidade e a sua primeira desilusão amorosa.  Anne ensina-nos a não desistir nos momentos de dificuldade, pois mesmo estando naquela situação de guerra ela pensava no futuro e fazia planos para depois da guerra. É possível acompanhar o crescimento dela em cada página do diário e Anne não perdeu rápido a inocência de criança, mas o isolamento, o medo da morte, e os sacrifícios diários fizeram com que ela amadurecesse mais rápido. Com uma personalidade forte, Anne foi uma menina com uma inteligência e perspicâcia acima da média. Mesmo com a angústia da guerra, Anne lia e traduzia muitos livros, também escrevia contos, Aprendeu várias línguas sozinha, apenas com artigos e livros. É importante salientar que Anne não escreveu o seu diário para publicidade ou porque era obrigada a escrever, mas sim porque ela aliviava o coração desta forma. 


Enquanto lia os pensamentos da Anne, eu me surpreendia a cada linha e me perguntava como é possível uma menina escrever tão bem aos seus 13 anos de idade, e o incrível é que sem pretensão nenhuma, ela escreveu um dos livros mais importantes do século XX.
 ‘’O Diário de Anne Frank’’ não é apenas um diário, não é só um livro, é um documento histórico, um dos melhores documentos históricos do período ''hittleriano''. 

As tropas alemãs invadiram o Anexo Secreto em Agosto 1944, prenderam todos eles e só o pai da Anne sobreviveu. Foram mandados para campos de concentração e Anne morreu em Março, no campo de Bergen-Belsen. Dois meses depois, a Holanda conseguiu a Liberdade (Isso é irônico, não?)

O diário 'livro'' foi publicado pela primeira vez em 1947, com a autorização do pai. A primeira edição do livro é o diário tal e qual foi escrito pela Anne, mas na segunda edição o pai preferiu fazer alguns ''cortes'' relacionados aos assuntos que dizem respeito a sexualidade da filha. Muita gente duvida da autenticidade da obra, muitos dizem que Anne nunca existiu e que o diário foi inventado por alguém, enfim... Muita história por detrás do diário de uma adolescente do século XX.
Hoje o livro já foi traduzido em trilhões de línguas, tem várias adaptações cinematográficas e por acaso um dos filmes tem passado nos canais TVC, o título é: ''A Minha Amiga Anne Frank''. 

A leitura deste livro é recomendada à todos, sem distinções de gêneros ou idades, é uma forma de conhecer mais sobre um dos momentos considerados mais importantes da história, a famosa ''segunda guerra mundial'' e também uma forma de nos conhecermos como seres humanos.
Este livro é um apelo à paz, amor e a compaixão mundial. Um apelo para um mundo melhor.

 Algumas passagens que gostei no livro: 

- O papel é mais paciente que as pessoas.

- Não acredito que apenas os homens de projecção, os políticos e os capitalistas sejam culpados pela guerra. Não, o homem comum também é... Há uma urgência nas pessoas em destruir e matar, e até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma grande mudança, as guerras se sucederão.

- Tu só conheces uma pessoa depois de uma discussão. Só, então, é possível julgar o seu caráter!

- Quero amigos, não admiradores. Pessoas que me respeitem pelo caráter e pelo que faço, não pelo sorriso encantador. O círculo ao meu redor seria bem menor, mas não importa, desde que fosse composto por gente sincera.

- (…) E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim. Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com o qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos.
- Quero continuar a viver, mesmo depois da minha morte.

- Gostaria de dizer isto: Acho estranho os adultos discutirem tão fácilmente e com tanta frequência sobre coisas tão mesquinhas. Até agora eu achava que birra era uma coisa de criança e que nós superavamos depois de adultos.

- Excelente espécimes da humanidade, esses alemães, e pensar que na verdade sou um deles! Não, isso não é verdade, Hitler retirou a nossa nacionalidade há muito tempo. E além disso, não há maiores inimigos na terra do que alemães e judeus.