13 maio, 2012

Vidas Novas- A vida nos musseques de Luanda

Gênero: Contos narrativos
Autor: José Luandino Vieira

O ano passado tive uma excelente professora de língua portuguesa. No segundo trimestre ela mandou a turma toda ler um livro de um autor angolano ou português clássico, e fazer um trabalho a falar sobre o livro lido. Eu li o livro Vidas Novas de José Luandino Vieira e foi uma das melhores leituras que já fiz. Todos os contos do livro foram escritos de 28 de Junho a 28 de Julho de 1962, no Pavilhão Prisional da PIDE, em Luanda.  Durante a leitura encontramos expressões próprias do português ''angolanizado'' e palavras em quimbundo e umbundo. Neste livro o autor proporciona-nos uma viagem no tempo, onde predomina a era colonial, a era dos contratados, a época em que os portugueses ainda dominavam de certa forma a sociedade Angolana.
Um dos contos fala sobre Dina, uma moça de 20 anos que perdeu os pais aos 5 anos, tinham sido mortos pelas tropas. Dina, morava com a sua madrinha velha Mabunda que não se preocupava com nada do que acontecia ao seu redor e era conformada com a dominação, velha Mabunda como muitos outros moradores do musseque não faziam nada para livrar-se da política colonial. A única coisa que a velha fazia era obrigar Dina a deitar-se com os tropas, principalmente um homem português chamado Tonho. Pois na altura se uma mulher negra conseguisse casar com um homem branco ela era vista com outros olhos.  Dina não gostava de prostituir-se, e sentia nojo de si mesma e muitas vezes chorava sozinha no quintal. Quando ela não fizesse bem o ''serviço'' o branco português ia fazer queixas à velha Mabunda que se desculpava dizendo: ''-Sabe, ela anda doente! Parece lhe puseram feitiço, não sei!'' e logo a seguir gritava com Dina: ''- (...) Não sei mesmo o que pensa na sua cabeça, menina. Um rapaz bonito então! E amigo como você sabe! (...) Sukuama! Menina de vinte anos parece é uma acabada.''

A população do musseque vivia em péssimas condições e havia vigilância constante das entidades coloniais que era muita agressiva.
Numa tarde, Dina ouve tiros, gargalhadas do povo e gritos de um velho que estava a ser agredido e ela não pensou em mais nada a não ser na raiva que sentia e partiu para a confusão para tentar socorrer o velho. Ouviu-se o barulho do carro da polícia a aproximar-se e os agressores fugiram deixando no local Dina e o velho morto. Os polícias prenderam Dina no mesmo momento '' Um pequeno riso teimoso (...) acorda na cara dela, larga e inchada. Rezando parecia era domingo, fechou os olhos e falou baixinho: - Nunca mais! Juro! Com esses gajos, nunca mais!'' Ela estava feliz, pela nova vida que nascia no seu sorriso. Preferia estar na cadeia do que continuar a prostituir-se.

''Dina'' é o título da primeira de sete narrativas que constituem o livro Vidas Novas. Uma leitura emocionante, realista, e que enriquece a mente e alma do leitor. Super recomendado!