05 setembro, 2012

Nós somos diferentes, por isso nos completamos.


Tu não és exactamente aquilo que eu sempre sonhei. Não lês Nicholas Sparks nem sabes nada sobre o Caio Abreu, tu não ouves as minhas músicas preferidas. Achas Jazz entediante e Blues muito ultrapassado. Tu és desajeitado e falas palavrões. Andas com os tênnis quase sempre sujos e os botões do casaco abertos. Falas com comida na boca, não cuidas do teu cabelo e nem reclamas do meu por estar sempre a cair para o rosto. Conheces muita gente e mais gente ainda te conhece.

Não sei o que vejo em ti e ainda estou a procura do que não vejo. Tu és o oposto de mim. Não ligas para o que os outros dizem e vives a vida do jeito mais maluco possível, como se não houvesse amanhã ou como se amanhã fosse tarde demais.
Eu tenho uma alma antiga, sou velha, chata e antiquada. Não sei dançar e nem vou para as festas que o pessoal da escola organiza. As minhas drogas são livros e chocolates, a única coisa que sei matar é a ignorância e morro de medo de não ser boa o suficiente. Sou velha e chata para a minha idade. Tenho uma alma antiga e muitos dizem que sou repetitiva.
Mas já ouvi dizer que opostos se atraem, talvez seja por isso que algo em ti me chame atenção e algo em mim te tire toda a atenção.

Ainda ontem no pátio eu olhei para ti e perguntei:
— Tu podes ter todas as raparigas que quiseres, porquê eu?
Tu sorriste e respondeste:
E porquê outra pessoa?
Envergonhada, preferi não dizer nada, passei a mão pela minha saia comprida até ao joelho e fingi ler uma das páginas do meu livro preferido. Tu tiraste do bolso um rebuçado de menta e olhaste para mim a espera de uma resposta. Passaram-se uns segundos, e eu sussurrei:
 — Porque elas fazem o teu tipo. Eu não.
Tu soltaste uma daquelas gargalhadas irritantes, os colegas todos olharam para nós e eu fiquei mais envergonhada ainda. Dei-te um toque com o cotovelo, tu paraste de rir, logo a seguir  afastaste-me o cabelo do rosto e disseste:
É justamente por isso que eu te amo. O que te faz ser diferente de todas elas, é que tu nunca tentaste ser igual a nenhuma. Tu és especial e eu amo cada detalhe teu. Mesmo sendo a rapariga mais estranha do mundo, tu ainda és melhor que o resto do mundo.

Aquelas foram as palavras mais bonitas que já ouvi. E naquele momento eu percebi que o amor não se procura nem se espera. Ele simplesmente aparece. E quando aparece, ah, ele não tem remédio. 
Nós somos diferentes, e é por isso que nos completamos.