12 março, 2013

90 minutos

Não queria que o nosso romance se assemelhasse àqueles que eu rascunhei na minha mente e me perdi no meio. Sempre sonhei com algo mais concreto, que não me fizesse ter medo de dar o próximo passo.
Queria poder olhar para o canto e ver os teus olhos radiantes por estar ao meu lado, queria olhar para o alto e ver o céu ainda nublado, brilhante só por estares por perto... Assim eu não teria medo de me atirar ao abismo porque sabia que estarias lá em baixo para me segurar, eu cairia em ti, para ti e por ti.

Ainda não aceitei essa lenda de que muitos amores possíveis não vingam, para mim amor é amor e sempre será! Amor é para acontecer, amor é para vingar em todas as circuntâncias. Talvez o nosso esteja na lista de espera mas eu sou impaciente e tu sabes disso. Das minhas manias, dores e dramas, és tu quem tem conhecimento absoluto.

Queria que a nossa história fosse parecida àquelas dos filmes Hollywoodianos, na essência e não na duração. Eu não queria que o nosso romance durasse 90 minutos. Isso nem sequer é tempo de beijar cada centímetro do corpo, de te contar sobre os meus sonhos para depois de amanhã, sobre os meus medos de ontem que hoje me fazem transbordar em gargalhadas, 90 minutos nem chega para fazer umas equações complicadas sobre o quanto te amo, não chega para tomar um café no chão da tua sala...
Em 90 minutos eu não iria conseguir aprender a andar de bicicleta, tu não irias aprender a fazer a feijoada que eu tanto gosto. 90 minutos não chega para nada. 

Eu não queria que o nosso romance acabasse antes de ter realmente começado. Não queria que o nosso filme acabasse na hora em que o galã entra na joalheria e deixa a mocinha a espera no carro, não queria que o nosso romance acabasse no meio da segunda frase do quinto capítulo, sem antes colocarmos um ponto, eu não queria que a nossa história mal contada terminasse com um ponto de interrogação. E terminou. Terminou?