19 setembro, 2013

Percebi que te amo


Percebi que te amo, quando entre uma garrafa de vinho e o telefone, eu preferi o segundo. Liguei para ti porque beber sozinha numa sexta feira a noite ja não me parecia uma coisa atraente.
Percebi que te amo, quando depois de atenderes eu fiquei em silêncio só para ouvir essa tua voz grave dizer ''Alô?'' ''Alô?'' vezes sem conta. E depois eu sorri como uma idiota e disse que era eu, mesmo sabendo que tu sabias, porque tinhas o meu número gravado.
― Tens planos para hoje?
Perguntei.
― O meu plano para hoje és tu.
Respondeste
― Eu?
― Sim, estou a ir ter contigo.
E sem me dar tempo de responder, tu desligaste o telefone, com tanta segurança como se soubesses que era para isso que eu tinha ligado.
Percebi que te amo, quando depois do telefonema eu corri para o banho, fiz depilação e esfoliação. Escolhi uma roupa de sair não muito exuberante, não meti maquilhagem, para que tu pensasses que eu visto bem para ficar em casa, afinal, só mulheres auto-confiantes fazem isso, não?
Acendi uma vela daquelas com cheiro bom, mas era só para fazer uma oração e pedir que as coisas corressem bem. Apaguei.
Limpei os copos e meti a bebida ao alcance.
Percebi que te amo quando o toque da campainha tocou o meu coração. Mal abri a porta, tu entraste, na minha casa e no meu coração. Disseste que eu estava linda e eu menti que tinha acabado de acordar, tu soltaste aquele sorriso de quem sabe exactamente da verdade.
Convidei-te para sentar, tu disseste que tinhas algo para mim, sorri em expectativa, meteste a mão no bolso e tiraste um chocolate. um chocolate. Qual homem da tua idade oferece um único chocolate? Eu gostei do gesto. Agradeci com um beijo no rosto. 
Bebemos. Conversamos. Rimos. 
Percebi que te amo, quando na hora da despedida fiquei com o coração apertado por saber que estaria sozinha novamente.
― Boa noite.
Disseste.
― Boa noite.
Respondi.
― Eu vou andando.
Despediste.
― Ok.
Permiti.
― Hm... Eu vou andando.
Repetiste.
― Eu não quero que vás embora.
Confessei.
― Eu também não quero ir.
Admitiste.
― Então... Dormes aqui em casa, hoje?
Sugeri.
― Quero ficar, mas não para dormir.
Revelaste.
― Então... Aceitas ficar a noite toda acordado? Comigo...
Convidei.
― Com muito prazer...
Aceitaste. E beijaste o meu nariz... Céus! Que homem da tua idade beija narizes? Eu gostei do gesto, e sorri.