23 setembro, 2013

Tu e esse teu amor inventado

Quando nos conhecemos, não conseguíamos ficar um dia sem falar. Trocávamos mensagens e telefonemas que faziam o coração vibrar. Era tudo tão doce, era tudo tão raro. Saíamos juntos todas as sextas, ele me apanhava na escola e dávamos uma volta pelo centro cidade, no rádio tocavam músicas da     Norah Jones e nós nos olhávamos como se nos conhecêssemos durante a vida toda, cantávamos em alto e bom som enquanto o vento batia em nossos rostos, fazendo-nos lembrar que apesar de todas as feridas ainda existe uma cura para ser descoberta, apesar de todas as correntes nós continuávamos jovens e livres, a felicidade estava em sítios improváveis e com ele eu descobri um por um. Ele dizia que eu era a menina dos seus olhos, eu dizia que ele era a minha almofada, onde eu deitava a cabecinha quando as coisas corressem mal, onde eu encontrava conforto depois de um dia cansativo na escola. Tudo corria bem até o momento em que ele começou a olhar para mim com os olhos de ver e não mais com os olhos da alma, ele agora olhava para mim como mulher para estar ao seu lado e já não uma menina para morar nos seus olhos. O dia mais triste foi quando ele disse as palavras mágicas ''És a rapariga mais atraente que já conheci. Estou apaixonado por ti e quero ser mais do que um amigo. ''
Palavras mágicas porque foram o suficiente para que eu desaparecesse da vida dele.  Eu sempre disse bons amigos são péssimos namorados, pior ainda aquela história de amigos com benefícios que para além de dinheiro emprestam-te o corpo.
Afastei-me e chorei por ter perdido a minha almofadinha, o meu amigo, meu irmão. Ele chorou por ter perdido uma potencial candidata a namorada. Hoje mandou-me uma mensagem: ''Flor, o que te fez fugir de mim?'' Eu respondi: ''Tu me fizeste fugir. Tu e esse teu amor inventado. Paixões tornam as pessoas neuróticas, tu fizeste a tua escolha. Boa sorte!''
Agora ouço  Lana Del Rey, sozinha no meu quarto, sem vento e sem companhia, apenas a pensar em como a minha vida seria melhor, se os meus amiguinhos olhassem para mim do mesmo jeito que olho para elas, com os olhos da alma e não com os olhos da carne.