24 outubro, 2013

Amar o meu homem


Falamos sobre as quedas, as ruas escuras, os becos sem saída. Brindamos aos encontros e choramos juntos pelos desencontros. Ele era alguns anos mais jovem do que eu, muito inteligente, a maior parte do tempo falava palavras que eu não percebia, parece absurdo mas eu ficava sempre com um dicionário por perto. Ele dizia que eu era a rapariga mais pura que alguma vez conheceu...
 Pura? - Questionei enquanto folheava o dicionário.
Ele riu.
Sim, pura.
Esta não era uma palavra difícil mas era a que menos se adequava a minha personalidade. No dicionário, não encontrei a palavra ''pura'' mas encontrei ''pureza'' e ele disse que servia.
 Bem... Segundo este dicionário Pureza é: Qualidade daquilo que não tem misturas, genuinidade, inocência, virgindade.
Após ter lido em voz alta, fechei o dicionário e olhei fixamente para ele.
 Mas... Olha, eu não sou pura... Já tive muitos namorados antes de ti.
Ele riu.
 Eu não me importo com quem tiveste antes de mim, és minha agora e se depender de mim não irás a lado nenhum.
 Mas...
 Mas nada... Não falo de corpos, não falo do físico. Falo de almas, falo de essência.
Eu sorri e disse:
 Sendo assim...Tu tens uma alma bonita.
 E a mais feliz também, por ter encontrado a tua.
Um encontro entre almas é mais bonito que qualquer contacto físico.
Ele riu e beijou-me, percorreu a mão direita pelo meu braço, foi descendo e parou pela cintura. Ele era mais novo do que eu, mas transmitia tanta segurança que eu sentia que podia chamá-lo de homem... O meu homem! Perto dele eu me sentia uma adolescente, todos os dias era como se fosse a primeira vez. Ele era paciente, respeitava o meu tempo. Falando nisso... Já eram 23 horas. Ele afastou os lábios dos meus e despediu-se:
 Está tarde, vou andando.
 Já? Estava tão bom...
Lamentei.
 Guarda todo este amor para amanhã.
Ele levantou-se e eu acompanhei-o até a porta, quando abri, apercebemo-nos que tinha começado a chover. Olhamos um para o outro e eu disse:
Estás a ver? Até os céus choram quando as nossas almas se separam.
Ele riu.
 Tu és tão pura! - Suspirou.
 Tu és tão...Meu. - Suspirei.
A chuva lá fora começou a cair com mais intensidade. Beijamo-nos, ele meteu a mão debaixo da minha blusa, e acariciou-me devagar... Eu fiz o mesmo, debaixo da camisa dele.
Fechei a porta com o pé.
 Preferes no quarto ou podemos ficar aqui? Perguntei.
 Amar-te sabe bem em qualquer lugar.
Ele tirou a minha blusa e lá de fora ouviu-se um trovão.

Amar o meu homem sabe sempre bem, e sabe melhor ainda ao som da chuva(...) No nosso mundo, chove todos os dias.