19 outubro, 2013

Quando eu te reencontrar, vou me encontrar

Meu amor, deita-te aqui comigo. Preciso contar-te um segredo.
Vem, cola o teu cheiro no meu corpo.
Encosta a tua mão aqui para ser arranhada pela minha barba.

Esses dias têm sido tortuosos, uma guerra tem se passado na minha cabeça. Já não sei quem sou, os meus demónios uniram-se contra mim, tenho medo de não conseguir vencer esta batalha, tenho medo de me perder em mim.

Esses dias têm sido angustiantes, dou quedas a mim mesmo, ofendo, bato em mim com palavras ou com chicotes de couro. Tenho medo da pessoa que me tornei.

Meu amor, sei que não compreendeste nada do que eu disse, mas como será possível te explicar se nem eu entendo?
Tenho andado afogado num mar de sal, quem me oferece salvação é um tanque de lágrimas. A tristeza tomou conta de mim, estou com um medo infinito de ser nada e que a vaidade de pensar ser tudo me suba a cabeça e a ganância cegue os meus olhos.

Olha amor, continua com a mão aqui na minha barba. Eu só te chamei aqui porque preciso que me faças um grande favor: Afasta-te de mim. Eu não sou uma boa companhia para ti, eu sou o conjunto de todos os erros do mundo. Meu amor, eu nem sei cuidar de mim, imagina o que farei com o teu coração?
Tu és a minha única certeza neste momento, todas as outras já viraram incertezas, erros, indelicadezas. Foge, antes que chegue a tua vez. Afasta-te de mim.

Não, amor. Não chora! Calma.... Vai ser melhor para os dois. Tu segues o teu caminho, eu continuo aqui com a mesma barba de sempre. Isso não é uma despedida.

Quando eu te reencontrar, vou me encontrar.