06 maio, 2014

A minha vida secreta


Sinto-me perdida no mundo, sinto-me perdida em mim. As vezes parece que não me conheço, e estou neste corpo por engano, apetece-me encontrar o ziper e despir esta pele como se fosse uma roupa, e andar livre, nua, sem armaduras, ou apenas desaparecer por alguns dias, meses ou anos. Algumas vezes sinto-me incompreendida, choro sem motivo e choro muito, nada é capaz de consolar-me, choro baixinho na minha almofada e no silêncio da noite perco-me com os meus pensamentos baralhados. 

Será que algum dia irei encontrar-me? Será que algum dia saberei quem sou?

Quero muito viver em paz com este corpo, é um desejo tão profundo que até me ponho em lágrimas quando penso na possibilidade de um dia olhar para o espelho e ver apenas as minhas qualidades, ver o que as outras pessoas dizem que eu sou. Tenho a péssima mania de olhar apenas para o que não está bem em mim, alguns dias acho que sou a rapariga mais feia, até como pessoa sinto-me um lixo. Outros dias sinto-me uma deusa e prometo nunca mais achar-me inferior. 

Muitas vezes sinto que não tenho agradecimento, Deus deu-me tantas coisas boas, tantas bênçãos e eu só olho para o lado negativo. Perdão, Meu Deus. Perdão.

Tenho comportamentos estranhos, quando estou sozinha, nos meus momentos de crise, já tentei ferir-me, já tentei punir-me por ser quem sou. São coisas que ninguém sabe, são coisas que quase ninguém imagina. São momentos da minha vida secreta.
Tenho uma necessidade enorme de ser independente, de andar pelo mundo e não parar em nenhum lugar, tenho uma vontade enorme de tocar vidas e deixar lembranças, fazer as pessoas felizes por algum tempo e depois voar em busca da minha felicidade, e ela está na liberdade de ser. Tenho uma necessidade enorme de andar sem paradeiro.