05 maio, 2014

O que fazer depois do fim


''A paixão é como uma queda que julgamos ser segura, uma queda voluntária, atiramo-nos para um buraco, sem medo, porque temos a certeza que lá em baixo está alguém para nos receber. Apaixonar-se é uma coisa bonita, mas temporária. A paixão não sobrevive durante muito tempo, ela acaba quando olhamos para a pessoa ao lado de nós e já não encontramos nada mágico no seu olhar, a paixão acaba quando um telefonema já não faz o nosso coração disparar e flores são apenas oferecidas como pedido de desculpas e não como um gesto amoroso num dia comum.''

Estas foram as palavras que eu disse para uma amiga, ela está a enfrentar o fim de um relacionamento que começou de forma intensa e terminou de forma rápida, desfez-se como pó. Terminou sem motivos, apenas porque ele já não tentava conquistá-la como no início ou talvez porque ela já não era tão difícil como no início. O problema dos relacionamentos de hoje em dia é que, quando somos nós mesmos eles terminam, por isso aconselham-nos a fazer jogos para sustentar o interesse do parceiro, precisamos fazer charme e negar até o que é da nossa vontade, precisamos fingir que temos uma vida ocupada, temos que demorar para responder mensagens, temos que esperar que ele ligue primeiro e ser indiferentes. A sério? Qual é o problema em sermos nós mesmos? Passamos muito tempo a tentar fechar-nos, a tentar parecer algo que não somos, recorremos a mecanismos para manter as pessoas interessadas em nós, e sabes de uma coisa? ''Minha querida, não é, nunca foi e nunca será tarefa tua mantê-lo interessado.'' esta frase é de uma carta que um pai fez para a sua filha, e ele disse mais: ''Minha querida, a tua única tarefa é saberes no fundo da tua alma, nesse lugar inabalável que não é salpicado pela rejeição, perda, e ego inchado. Tu és digna de interesse.''

Tu mereces ser amada, tu mereces atenção, tu mereces flores em dias ordinários, mereces ser lembrada o quão linda és, isso tudo porque existes, isso tudo porque foste feita para alguém que te valoriza pelo que és realmente. Não precisas fazer joguinhos, não precisas demorar 10 minutos para responder mensagens, não precisas ter medo de parecer chata ou pegajosa, porque a pessoa certa para ti, digna de ter a tua companhia, vai amar-te por seres tu mesma, nem que mandes mensagens as 5 da manhã, nem que chores a frente dele, nem que fales como ele do mesmo jeito que falas com a tua melhor amiga, nem que sejas desajeitada. A pessoa certa para ti, vai amar-te com todas as tuas falhas. Para quê esconder quem és? Para ser amada por quem não és? Para quê querer ser interessante para quem não é interessado? 

Continuar apaixonado é um desafio, e se a paixão não evoluiu para amor é porque não estava destinado. Não te culpes pelos erros alheios, não procures defeitos em ti porque os olhos dele não viram o que deviam ter visto. Ninguém é obrigado a gostar de ti, ninguém é obrigado a conquistar-te. O verdadeiro amor vai cruzar o teu caminho quando chegar a hora. Enquanto isso, sê tu mesma.
''Eu não estou pronta para viver sem ele. O que é que eu faço agora?'' A minha amiga perguntou-me, em lágrimas.
''Nada. Não existe nenhuma receita. Faz o que sempre fizeste, vive como vivias antes dele. Lê os teus livros, vai ao cinema, recomeça. Depois do fim é hora de recomeçar.''