15 julho, 2014

O amor é uma droga e nós estamos viciados.


''Os teus pés parecem ter sido cuidadosamente desenhados por um artista, eles são diferentes dos outros, são finos e abstractos, os teus dedos pequeninos parecem contar uma história.''

Enquanto eu falava, ela quase morria de tanto rir e depois me disse que isso era um efeito do amor: Ele faz-nos ver magia onde não há.
Eu acho muito errado o facto de ela atribuir as culpas ao amor quando ela mesma faz estas coisas.
Esta mulher faz-me cometer loucuras, duvidar das minhas próprias palavras e inventar sensações. Ela é uma mulher interessante, olha para o mundo de uma forma singular e só quer aproveitar os pequenos momentos, ela quer ar fresco, capim, bons livros e uma boa companhia. Sinto-me muito feliz por ter sido a sua escolha, num universo com 7 bilhões de pessoas, homens mais altos, mais bonitos, que já leram os grandes clássicos da literatura, formados... Ela podia escolher qualquer um, mas escolheu-me.

Quando comento sobre isso, ela responde-me o seguinte: ''Escolhi-te no passado e irei escolher-te quantas vezes que forem necessárias. Tu és o que eu sou.''

Ela acredita na natureza e decifra todos os seus sinais, ela é linda e nem sequer sabe, ela tem ideologias próprias e mesmo assim gosta de mim, que sou apenas um homem perdido na multidão.
''Tu pareces arte'' 
Ela disse enquanto olhava para os meus olhos negros.
''Não. Os teus pés é que parecem arte.''
Rimos, enquanto olhávamos um para o outro e percebíamos que já não havia nenhuma forma de escapar.
''O amor é uma droga.''
Ela disse.
''E nós estamos viciados.'' 
Eu completei.