04 maio, 2015

''De miss à Meteriz'' texto por: Fim de Almeida Paulo



Era molecular a velocidade que aquela célula sanguínea levava ao ser impulsionada pelas artérias a fora. O órgão centro contra e descontraia, em sequências rítmicas balisticamente aceleradas. Eram anormais as batidas, tanto quanto o evento.
Luzes, flash, olhos, vozes, palmas, música… entre o sonho e a realidade, foco desfocado, sorriso não autorizado, momento almejado! Queria sentir simpatia pelas outras, mas o momento não era para compaixão, era para comemoração. E para auto-defesa psicológica, seu cérebro permitiu e inchou-se de vaidade da forma mais imoral for defesa a sua moral.

Dentre os olhares chocados, duvidosos, invejosos, admirados, importunados, sensatos, também haviam olhares predadores! Que a distancia conseguia os ausentar. Mas a sua presença era vulgarmente sabida naquele aquele mundo. Havia também, os que por lá já haviam passado, e curiosamente estes olhos, voltados ao chão estavam. Pois sabiam os únicos possíveis rumos daquela euforia, da ribalta! Estes dois últimos olhos voltaram-se um contra o outro. Colidiram! predadores impacientes tristes os experientes, e conversaram. sabiam cada um o seu papel. Era chegada a hora!!!

Dicotomia, balbuciou. Como? respondeu a vencedora. A mais alta organizadora do evento continuou dizendo a jovem recém vencedora. - Amanhã mesmo, me encontre no mesmo lugar a mesma hora, pois é chegada a hora de perceberes esta palavra! Ok… não captou por completo, porque lhe foi dito por dentre as felicitações e abraços, beijos e menções. A fama havia aterrado em sua vida como uma nave espacial na terra. De beleza estagnante, havia Deus a criado, foi por isso que venceu o concurso… ou será somente por isso? “Dicotomia…” a fama a tornara instantaneamente não comum, não normal, não qualquer uma… enfim… quem sois vos damas de honor perante a imponente miss!

Como havia prometido, lá estava ela, para pagar as dividas que havia contraído. Eis um dos poucos momentos, em que o pagamento antecede o trabalho árduo. Entretanto quando se já foi pago, não se sabe ao certo que tipo de trabalho farás de concreto. Era jovem e bonita, de vontade própria e livre. Uma simples promessa verbal de namoro, não impediria de fazer o mesmo de corno. Tudo esta na vontade, é tudo psicológico, possibilidade de prazer com adicional transformado em dinheiro. Quem era ontem, quem sou hoje? um futuro glorioso em troca de um instante de opróbrio.

Dicotomia, lhe foi repetido, com o dedo apontado naquele compartimento secreto. Cheirava-se no ar, sentia-se o sabor nas glândulas gustativas. Era lugar de luxuria, de satisfação das mais ocultas e porcas fantasias, vivência das mais desmedidas realidades. De identidades que não podiam ser reveladas, dos olhares predadores, que parecem ausentes mas estão presentes. Era lugar luxuoso, mas asqueroso, era chique mais freaky, era moderno mais excêntrico. Era um autêntico matadouro, matadouro de almas, de sonhos, de índole, de vergonha, de pureza. 

E assim seria, não mais humana, nem mulher, tampouco miss. Fui então, coisa de diversão. Marionete de excitação. Trapo de sémen. Boca para tudo. Anus sonhos realizou. Corpo cuspido, cabelo arrancado, seios esmagados, pescoço marcado, rabo esbofeteado, costas marcadas, vulva chicoteada.

Naquele lugar morri miss, após 3 dias, ressuscitei meretriz!