23 junho, 2015

O amor nunca chega


Toquei corpos que nunca me amaram.
Beijei lábios que nunca se pronunciaram.
Entreguei-me a quem não me tinha.
Esvaziei bolsos que não me pertenciam.
Fingi sensações.
Fugi de emoções.
Destruí lares e corações.

Sou apenas uma mulher a quem a vida não deu os seus melhores sorrisos. Penso até que fui colocada de lado na hora em que escreveram o destino dos seres humanos, e por isso tudo tem acontecido na base do improviso.
Sou uma ponte por onde todos passam para alcançar os seus interesses. Nada comigo é duradouro. Amigos duram apenas uma estação, e amores só ficam tempo suficiente para triturar o meu coração. Abandonam-me quando menos espero, vão embora sempre que vejo a luz no fim do túnel, correm para longe no mesmo momento em que em quero correr para perto.
Desencontros. Transtornos. Assim é a minha vida! Tão amarga na sua crueldade. 
Sou filha de rejeição, por isso moro em bares e durmo em sofás de homens que conseguem guardar os desejos da carne para o fim.
Não tenho esperanças no mundo, nem em mim mesma. Não tenho esperanças no amor, nem sei de que forma ele chega. Aliás... O amor nunca chega para pessoas como eu.