16 agosto, 2015

13.08.2015 O dia em que saí do meu Casulo



A vida é uma longa viagem em direcção a casa.
Lembro-me de ter lido esta frase num livro, e de me perguntar ‘’qual casa?’’
Qual é esta casa para onde todos nos dirigimos e porquê lá? Porquê este destino?
Nunca consegui encontrar esta resposta e, para ser honesta, não quero descobrir. Porque sei que, se descobrir, vou deixar de tentar, vou deixar de procurar... A graça desta viagem está no desconhecido, no facto de ter sempre uma ponta de mistério em cada revelação.

Na verdade, é isso que faz de mim uma escritora. Eu não sou escritora porque escrevo prosa ou poesia, sou escritora porque sinto as emoções a flor da pele. Sou escritora porque quero sempre saber mais do que aquilo que me é permitido, sou escritora porque me permito viver outras vidas, sentir outros cheiros e chorar lágrimas que não existem. Sou escritora porque nasci assim, porque a minha mente não me permite mentir e fugir da própria natureza. Sou escritora porque cada respirar é movido pelo desejo incansável de me expressar e dar voz àqueles que se calaram.

Quando me perguntam por que é que decidi escrever, eu não encontro respostas porque isso não foi uma decisão. Não é o homem que escolhe as letras, são as letras que escolhem o homem. E não escolhem de forma suave, é como se te apontassem uma arma na cabeça e não te dessem escolha: ou escreves, ou morres. É assim que me sinto. Eu só vivo quando escrevo. Eu só percebo a vida quando escrevo. Eu só me conheço quando escrevo.
Desde muito nova fui curiosa e sabia que o meu coração pertencia a tudo menos coisas exactas. Já quis ser filósofa, professora, antropóloga e actriz. Penso que consegui realizar os 3 e sou hoje uma espécie que transmite filosofias de meia tigela, contando histórias verdadeiras que são inventadas e a vestir máscaras para se expressar.

Eu digo que aprendi coisas suficientes para a idade que tenho, nem todas eu vivi mas senti.  O que os outros querem para nós, nem sempre é o que nós queremos para nós mesmos e não é errado seguir o nosso próprio caminho. Não é errado dizer: ‘’eu aceito o teu amor, mas recuso-me a sonhar os teus sonhos.’’ Não é errado pedir que te soltem o braço e dar dois passos para frente.  É permitido ser livre. É permitido ser quem foste destinado para ser.

Não me enquadro em muitas áreas,  e aprendi que não me devo sentir desmerecida, inferior ou culpada por não perceber sobre todos os assuntos.
Sei, simplesmente, que há coisas que não são pra nós. O desporto e a dança, por exemplo, não são para mim.

Graças a literatura, eu aprendi a aceitar-me como sou, a agir mais de mim para mim mesma e a reconhecer-me como o único agente capaz de trazer mudança para o mundo onde existo.
Eu assumo, que a escrita salvou a minha vida. Ajudou-me a encontrar caminhos inexistentes, a ver luz onde só havia abismo. Graças a ela conheci pessoas maravilhosas, passei por situações únicas e estou aqui, hoje, de coração aberto a encorajar-vos a viveram as vossas paixões.

Dia 13 foi o evento de lançamento do meu segundo filho, Met(amor)fose. Agradeço-vos pela presença e... abracem os vossos sonhos. nunca é tarde demais, nunca é cedo ainda, sempre é hora certa!