01 abril, 2016

Hits da cultura Angola

Autor: Isis Hembe



Encontramo-nos muitas vezes perdidos, sem referências culturais; e isso se agrava quando recebemos, de todas as direcções, produções artísticas de alta qualidade; o que pode ser muito saudável ou nem por isso.
Sempre nos dá aquele vazio quando tentamos responder a seguinte questão: afinal quais são as nossas produções artísticas das quais devemos nos orgulhar?
Temos inúmeras, certamente. No entanto, vamos seleccionar algumas que nos vão servir de matrizes e, talvez, nos inspirem a procurar por mais: Mwana Pwo, é uma máscara do povo Cokwe, que retracta o espírito feminino na sua expressão de graciosidade, beleza e elegância. Um dos exemplares da máscara datada do final do século XIX, passou até bem pouco tempo, por momento conturbados ao ser roubada de seu museu de origem: Museu do Dondo. Capturada, posteriormente, no mercado clandestino parisiense. Esse episódio é um atestado do valor universal que a obra encerra.



Quanto a música, temos um repertório extenso. Mas se fosse para apontar uma música que tivesse uma áurea de ''over the rainbow'' em versão nacional, escolheria a humbi humbi. Música do folclore ovimbundo que pela sua beleza trilhou caminhos da internacionalização merecendo versões de artistas como Djavan. Tudo isso de forma natural e subtil.
No teatro se evidencia a grande peça de Henrique Abrantes, que por sinal, tem um curriculum invejável: Hotel Comarca. Única peça africana a se fazer presente na V edição do festival de artes cénicas da América Latina de 2010.


Na dança, não poderíamos deixar à margem, a Kizomba e o Kuduro. Estilos de dança que mais multiplicam ginásios a nível da Europa, desbancando estilos  mais tradicionais e consagrados da cultura universal.

Precisaríamos de dedicar um site inteiro para discorrer sobre todas as manifestações artísticas e culturais que se tornam hits internacionais. A depender da época e conjuntura social da mesma, obviamente. Mas, mais do que hits, precisamos estar atentos a produção nacional e não só, para que não seja necessário o reconhecimento internacional para permitirmos que a arte nos toque à alma.