18 abril, 2016

(Já) Fomos

Autora: Bereznick Rafael


Hoje eu vi ela, nossa como estava linda! Mais linda do que nunca.
Ela estava com aquele sorriso perfeito no rosto e lembrei de quando eu fui a razão do sorriso dela. Porque será que mesmo eu não sendo o motivo continuava a acha-lo perfeito?
Ela estava a escrever algo em seu telemóvel. Deveria ser um daqueles textos perfeitos que ela sempre escrevia, pensei, então lembrei de quando eu era sua inspiração. Quando ela empolgada no meio da noite ligava, dizia que escreveu algo para mim e então com sua voz serena começava a ler o que havia escrito, no meio da leitura respirava fundo, começava a contar-me como começou a escrever o texto e depois continuava a leitura. Aquilo era perfeito.
Quando ela olhou para mim eu quase senti tudo o que senti a primeira vez que cruzamos nossos olhares, mas ela desviou o olhar na hora, a expressão que mostrou foi de uma tristeza profunda, uma tristeza que convidou as lágrimas para escorrem dos meus olhos e dos seus. Eu pude sentir que ela revivia todas as situações desagradáveis por que passamos, pois girava o anel que tinha no indicador direito e cerrava os olhos com força, ela fazia isso quando quisesse desviar os pensamentos desagraveis que passavam pela sua cabeça.

Sim, eu tive aquela mulher para mim e a deixei escapar. Nós tivemos um amor épico, daqueles que cortam a respiração e tiram o fôlego, que aceleram os batimentos cardíacos. Aqueles amores que encontram-se apenas uma vez na vida. Sim, eu tive, mas deixei escapar porque não me sentia merecedor dela, ela era única e especial. Depois dela, ah!!! Depois dela não existe nada nem ninguém. Literalmente não existe. Então agora fico aqui a observar cada passo seu na esperança de que um dia ela volte a olhar para mim e consiga suster o olhar sem que lágrimas caiam dos seus olhos.