21 abril, 2016

Por ti eu mato. Te mato e me mato


Autora: Suely Soares

''Por ti eu mato; te mato e me mato.''
Escolheste um momento tão errado para me dizer isso, meu amor. As tuas palavras nunca mais saíram da minha mente e a nossa relação nunca mais foi a mesma. Deixaste-me com medo de ti.
O que era engraçado já não é mais; os teus ciúmes que eu tentava achar normais, a maneira como me apertavas no braço geralmente por ciúmes de algum estranho que me olhou na discoteca, no restaurante ou na praia, toda feiura daquilo que eu pintava e fazia parecer lindo, tudo veio à tona.
Por mim tu matas, matas-me e matas-te. Tive pesadelos todos os dias a seguir, teu sorriso que eu achava lindo vinha nos sonhos com um som maléfico. Eu comecei a chorar por nada em momentos desnecessários. Via que estava na hora de desistir de nós dois ou talvez dar um tempo para tudo acalmar, para o teu amor esfriar, sei lá, antes que tudo não virasse realmente uma obsessão.
Escrevi-te então uma carta a pedir que não matasses, mas que desses vida aos nossos sonhos sem me magoar, sem estragar, sem procurar motivos que não existem, olhares que nunca olharam, sorrisos que nunca sorriram, desejos meus por outros homens quando na verdade tu eras tudo que eu sempre desejei desde quando éramos apenas dois adolescentes.
Mandei-te um email em slides, com um texto que mostrava um casal que se amava, sem medo dos erros, dos anseios, do futuro, dos estranhos; só confiando e vivendo, rezando para que este amor dure para sempre.
Não satisfeita, decidi ligar-te, mas nem fui a tempo porque o meu telefone tocou. Eras tu a dizer que precisas de mim para viver... Eu não quero que tu precises de mim para viver, eu quero que tu não precises de mim, mas ainda assim me queiras na tua vida!

Não mata, não me mata nem te mates. Só ama a ti mesmo, todos os dias, todas as horas e acima de qualquer coisa ou pessoa, só isso por favor!