28 abril, 2016

Quer conhecer Angola? Aceite a cultura como guia turístico

Autor: Isis Hembe

Os países são projectos dinâmicos. Passam por muitas transformações, o que dá à cada lugar uma história e bandeira identitária específica. Essa identidade vai para além dos edifícios, dos pontos turísticos, e –me permitindo o exagero– estão além das barreiras geográficas, inclusive. Talvez isso explique o facto de um chinês simpatizar de imediato com o semba (música tipicamente angolana); talvez isso explique a saudade daquele estudante na diáspora que, por melhores condições que encontre, prefere sempre o regresso; existem inúmeras situações que poderiam ser explicadas por esse fenómeno. Então, que força é essa que une as pessoas? A cultura. Portanto, nada mais justo que ao conhecer um país, façamos da cultura o nosso guia turístico.

Angola, sob o ponto de vista cultural, não deve ser dividida em províncias; sendo que muitas delas partilham as mesmas tradições, hábitos e costumes. Por isso, a referência à lugares sempre será subjectiva.
Comecemos pela região mais ao norte do país (que abrange as províncias de Cabinda, Zaire e Uíge), banhada por uma musicalidade ao ritmo da Kilapanga.

As mulheres mais ligadas às tradições tendem a se vestir com fatos ou vestidos timbrados com estampas coloridas.

As cerimónias ou eventos mais significativos, especialmente na província de Cabinda, são presenteadas com a presença dos BaKamas (entidades tradicionais encarregadas a preservar a moral, bem-estar e beleza)

A região subsequente que abrange Luanda, Bengo, Malange, Lunda Norte, Lunda Sul, Cuanza Sul e Cuanza Norte. São áreas que se movem ao ritmo do semba e tchianda

As mulheres, principalmente as de Luanda e Bengo, possuem um traje mais específico: A bessangana. Nesta região, existem práticas culturais e religiosas da mais diversificada espécie, dentre elas podemos dar ênfase no Xinguilamento.

A parte do centro de Angola que abrange Benguela, Huambo, Bié e Moxico, se move ao ritmo da sungura na maior parcela desse território.

Não há trajes específicos a destacar nessa região, contudo, é importante destacar a existência do grupo étnico Mumuílas que conservam uma forma de ser e de estar original.

Na última região, na parte sul de Angola, onde se situam as províncias do Namibe, Kuando  Kubango e Cunene, não há um ritmo musical que impera, sendo um território que recebe influência da parte central. Compensa isso por meio dos trajes típicos efectuados com tecidos regionais tais como a samakaka (tecido com estampas das cores da bandeira nacional: amarelo, preto e vermelho. Alguns trazem também o branco ).
Kuando Kubango, por exemplo, apresenta um carnaval de muita personalidade, onde aspectos tradicionais se destacam mais do que nas outras áreas do país. Cunene apresenta uma cerimónia de introdução à vida adulta chamada Fico, onde os adolescentes são instruídos com a moral tradicional, dando-lhes directrizes da maior idade.

E é assim que apresentamos Angola por meio daquilo que emana do espírito de seu povo