25 abril, 2016

Tu me amas

Autor: Geraldo Gomes
Lentamente a melodia suspende no ar ao meu redor. Lentamente surge em mim um arrepio de desejo, um calafrio que empalidece a alma mas esquenta a face. A minha mão que toca a tua pedindo a dança. Tu me amas? Flores crescem nos meus olhos a cada vez que te vejo. Se é doença, já fui contagiada. Se é matéria de morte, que se preocupem apenas com o meu corpo: minha alma dança branca e leve contigo. 
O que quero me ultrapassa, agora eu te peço um beijo: com o olhar, te peço um beijo. E é como se a melodia se abafasse entre a maciez dos teus lábios, desse toque tão íntimo e delicado, e eu a sentisse reverberar nos meus. Meus olhos fechados são abertos ao Paraíso, e nós nus somos os primeiros a amar. Essa natureza que levita os pesos da vida — essa natureza é o que sinto ao te tocar. 
Estou enfeitiçada; o que é que me desabrocha o coração? Se for o teu beijo, esse teu toque que me relaxa as pernas, eu o eternizo. Eu quero que o futuro se limite a este momento: que não haja mais o que viver enquanto a felicidade permanecer apenas nesse momento. O amanhã já me dói, já é uma lembrança de tortura. Agora eu quero o amor que tens para mim. Tu me amas? Se este sorriso não for de amor, que não exista outro tipo de sorriso: o mundo inteiro ama quando você sorri. Os pássaros que em revoada sibilam melodias já conhecem esse teu sorriso; é o sorriso primeiro que o mundo encontra ao sentir a luz branda do sol acariciar a pele da terra. Teu sorriso é de vida, é de amor, e eu estou enfeitiçada. 
A música que vibra agora é somente o meu peito retumbando em deslumbre — se você ouvi-la, então, é porque me amas.