05 maio, 2016

Aquele sentimento sem nome

Aquele sentimento sem nome


 Amanda estava em um relacionamento havia quatro meses. Isso era tudo que ela sabia: que tinha seu coração levemente ocupado, mas não comprometido. Era uma sensação estranha de quase. Quase amor, quase ilusão, quase perda de tempo, quase importante, quase bom. Seu caso tinha um sabor de “falta alguma coisa” ou de “o tempero não pegou”, sentia sempre que estava dez passos atrás, e que algum dos ingredientes da mistura “casal” havia sido esquecido. Por mais que se esforçasse o amor se recusava a entrar no seu coração, chegava no portão, dava meia volta e partia sem rumo.
Ela sentava sozinha a noite e se perguntava porque não dava fim nesse sentimento morno, porque simplesmente não procurava alguém mais dela, não no sentido de propriedade, mas sim uma pessoa que tocasse seu coração, que tivesse pele de “esse abraço jamais esquecerei”, uma boca que beijasse a alma por inteiro sem deixar nenhum pedacinho de fora. No fundo ela sabia que esse namorico não ia para frente, eles não tinham aquele elo que faz as pessoas terem vontade de ficar juntinho num aconchego infinito, Fernando era apenas uma companhia masculina agradável o suficiente até que a vida lhe ofertasse a oportunidade de encontrar um amor de colo macio e que enchesse seus dias de mais sorrisos.
Entre eles havia um acordo tácito de “mente que eu finjo que acredito”, ainda que não pronunciado, nunca sequer haviam falado em oficializar o rolo deles, apenas trocavam banalidades sentimentalóides amenas, tudo raso e superficial. O assunto amor era evitado como um campo minado, pois no momento que se tocasse no delicado tema, ficaria escancarada a farsa de ambos que fingiam que poderiam se encaixar um dia. Era o recurso de dois solitários para ter ao menos uma paródia de paixão que aquecesse seus corações nos caminhos já tão frios do dia a dia.