12 maio, 2016

Coisas da vida

Autora: Suely Soares

Ela: Eu te amo, fica comigo
Ele: Amas-me como, se nos conhecemos nem faz um mês?
Os olhos dela entristeceram, ela quis dizê-lo que já o amava antes sequer de o conhecer. Que ele era o homem que há meses aparecia para ela em seus sonhos... Mas o coração batia demais as palavras não saiam!!! Abraçou-o, mas bem no seu coração ela sabia que um abraço pouco era, ao lado de tudo aquilo que por dentro sentia.
Depois de dias ele apareceu, dizendo que ia embora, que nada ali o prendia e que precisava crescer, conhecer novos lugares e uma outra vida viver.
Convicto de que não deixava motivos para olhar para trás ele foi, e ela viveu amargurada, até que encontrou alguém que a amava mas que ela não amava. Aceitando o seu destino, deixou fluir o instinto com ela já nascido, e foi esposa, mãe, amiga, crente, forte, pilar e abrigo, o maior tesouro de seu marido.
Ele viajou meio mundo e namorou mulheres de diferentes raças e nacionalidades, mas isso não o fez sentir completo. Houve o dia em que o coração pedia um pouco mais e ele lembrou da única mulher que o abordou com a pureza no olhar, a inocência no sorriso, a sensualidade sem intenção. Era pura, pura demais! Tanta inocência fê-lo duvidar.  Mas era a hora de voltar para a sua própria terra, ia procura-la com certeza, ia tentar mostrar que havia mudado, e que todo este tempo sentiu-se culpado por não tê-la ao seu lado.
Foi quando então regressou, mas de inicio não teve coragem, de voltar àquele lugar que um dia foi o seu bairro e perguntar por Yolanda, por onde teria ela andado?
Mas a vida, como sempre atrevida, encarregou-se de facilitar o seu trabalho. E com a ajuda do acaso marcou um encontro para clarear aquela nuvem que há muito no coração dos dois sobrevoava.
No restaurante Ilha Maravilha, no coração da Ilha de Luanda, ele viu a sua amada de costas, em pé, a olhar para o mar. Estava virada mas ele sabia, era a Yola só podia, jamais a confundiria e naquele momento como quem advinha, ela vira o seu olhar. Foi o instante mais tenso do universo, a troca de olhares foi como o gelo atirado ao fogo, que chega firme e cheio de si mas em fração de segundos, não resiste e se entrega ao encanto do calor.
Ele sorriu, mas ela continuou parada perplexa e por fim abaixou a cabeça. Ele quis encostar-se a ela e dizer que aquele amor de anos atrás o trouxera de volta, que queria uma chance.
Mas quando viu aquele homem se aproximar e a boca de sua amada beijar, com uma menina linda sentada em cima de seus ombros, sorrindo e gritando mamã, percebeu que era tarde demais, era uma causa perdida, ele tinha realmente entregue o seu grande amor a mercê da vida.
A vida que não espera, a vida que é urgente! Seu grande amor estava bem a sua frente, agora ele sabia e se arrependia, pelo dia da sua partida, pela dura despedida, pela bênção já perdida!
Coisas da vida...

Coisas da vida...