26 maio, 2016

Então o amor chegou

Autora: Bereznick Rafael

Ele era um jovem determinado e batalhador. Tinha toda sua vida planeada, estudava medicina e pretendia ser um neuro-cirurgião, tinha tudo sob controlo e odiava o desconhecido, idealizava a mulher para si e sonhava em encontrá-la, inclusive conseguia ver ela claramente nos seus pensamentos: morena alta com olhos negros, uma artista que nos tempos livres ouvia Beethoven e escrevia cartas de amor. Uma rapariga que interpretava silêncios e apreciasse filmes românticos, ele a via na sua cabeça e como sempre já tinha um plano traçado para o suposto futuro relacionamento. Era um perfeccionista, até que de repente encontrou ela, um espírito livre com os olhos tão claros que pareciam incendiar quem olhasse para eles durante muito tempo, ela era uma filântropa, não tinha nada de artista, trocaria tudo por um banho de chuva enquanto ouvia Avril Lavigne, cartas de amor para ela eram um clichê. Príncipe encantado, homem dos sonhos ela deixava isso para os contos de fadas e filmes de romance, apreciava uma boa conversa e só ia ao cinema se estivesse passando um filme com Steaven Seagal, mas ela tinha medo do amor, medo de amar e perder sua essência por isso. Ela era diferente da mulher que ele sempre sonhou, talvez até o oposto, ela não tinha um tipo, mas definitivamente não queria ninguém em seu coração, mas isso não os impediu de apaixonarem-se perdidamente.

Juntos eles desvendaram o mundo um do outro, mataram suas curiosidades e enfrentaram suas diferenças, ela ajudou-o a deixar de lado sua mania de controlar tudo, ensinou-o a libertar seu espírito e aos poucos ele foi mergulhando no mundo daquela rapariga que vivia um dia de cada vez, sem ânsia pelo amanhã nem remorsos do ontem, vivia cada dia plenamente sabendo que deu o melhor de si e fez a sua parte tentando melhorar esse mundo sem se esquecer de si mesma. Com o tempo ela foi deixando de lado o seu medo de amar e deixou-se levar pelos sentimentos. Eles tinham uma simbiose perfeita, juntos brilhavam e claramente via-se que eram melhores. Um completava o outro.