09 maio, 2016

Eu não posso mais lutar

Autora: Bereznick Rafael

             
Mãe! É com muito pesar que me despeço de ti e, do fundo da minha desolada alma peço-te as minhas sinceras desculpas por estar a fazê-lo por esse meio, talvez essa seja a única forma para diminuir o peso que terá sobre ti, mas acontece que eu não consigo lutar mais… simplesmente não consigo, mãe. Eu fui forte durante muito tempo, mesmo quando minhas forças pareciam esgotadas eu tentava a ser forte, eu pensava em ti e na dor que a minha perda poderia causar em ti, porém agora eu não consigo  mais.
Mãe, durante muito tempo fui vítima de mim mesma, vítima das tenebrosas circunstâncias da vida que me empurram nessa irreversível condição e deixaram-me nessa maldita depressão, essa horrível doença que por muitos é vista como um simples capricho, uma forma de aparecer, mas ela é real mãe, tão real que acabou comigo.
No princípio eu lutava, mãe tu sabes que eu não me abato com facilidade, eu enfrentava essa doença de cabeça erguida… Enfrentava não, eu ignorava a existência dela, essa era a minha melhor tática de defesa, se alguma coisa não existe não tem como ferir-me. Mas com o passar do tempo eu percebi que estava enganada, ela existia e quanto mais eu a ignorava mais espaço ela ganhava dentro de mim.
                                            
Lembras daquela noite…? Tudo começou naquela noite mãe, começou com aquele maldito acidente que levou o homem da minha vida e a linda princesa que crescia dentro de mim. Desde esse dia minha vida transformou-se em um campo de batalhas, eu sorria para todo mundo e dizia que estava bem ou que ao menos ficaria bem, mas eu nunca estive e acho que não estarei enquanto não os tiver de volta, desde esse dia eu nunca mais fui a mesma… Lentamente um vazio foi preenchendo meu coração e uma melancolia apossou-se da minha alma, eu tentei ser forte, eu juro que tentei lutar contra, mas a dor enraizava-se em mim a cada dia e cada dia era mais difícil lutar contra ela até que finalmente eu senti que já não tinha forças, não tinha mais como lutar contra aquela angustia que me consumia, aquela incerteza de não saber se amanhã estaria pior, então eu parei de lutar mãe e hoje eu decidi entregar-me por completa à essa dor.

Ah mãe! Não sabes como esses dois anos foram difíceis para mim, eu entrei numa luta impossível de ganhar e acho que desde o princípio eu já sabia que o fim seria esse, mas tentava enganar-me ao vestir a capa da super-mulher que tenta melhorar tudo lutando como uma depressão, que sorria mesmo com a alma em pedaços, mas agora eu não posso mais, simplesmente eu não posso mãe e ainda que pudesse, eu não quero nem aguento mais. Já está decidido, eu vou fechar meus olhos e dormir meu sono profundo. Não fique preocupada mãe, eu ficarei bem, eu sei que encontrarei o homem da minha vida e a minha princesa esperando por mim lá no outro lado.