28 junho, 2016

África, o berço da minha existência‏


Eu nasci em ti e tu fizeste nascer em mim a verdadeira essência do viver.
Lembro-me daquele balaio que carregavas na cabeça todos os dias nas tuas zungas em que eu, era o teu fiel companheiro. 
Só eu sabia... Eram os teus choros noturnos, os calos dos teus pés, o roncar do teu estômago esfomeado, o suor que escorria paulatinamente no teu lindo rosto e fazia-te abanar com o teu colorido  balaio , quando já estivesse vazio.
Tudo isso era para mim um dilema: 
"Como fazer esta mulher feliz?" Perguntava-me sempre. E pergunto-me até hoje, se existe algum presente à altura perante à um ser como tu. Principalmente uma mãe como tu. Mas eu vou tentando encontrar, alguma forma de te alegrar mesmo que estejas aí  do outro lado. Alguma forma de compensar as tuas noites mal dormidas, os calos que criaste nos teus pés e a fome que passaste para me poder dar de comer.
Por vezes  aqueles choros, quando me levavas às costas, eram também de profunda tristeza, ao ver-te perante tamanho sofrimento. 
A melhor linguagem de um homem é o amor. Era através dela que nos comunicávamos. Eu chorava, e tu sabias quando era fome; ou sono. E continuamos a nos comunicar até hoje. 
Eu sentia o ritmo acelerado do teu coração, enquanto me carregavas às costas. Era a tua alma a gritar desesperadamente.
Talvez tenha sido essa sintonia que nos mantém ligados até hoje, sempre me levaste contigo. Tudo brilhava ainda mais, quando brincavas comigo e cantavas para mim. O teu amor é luz. Tu és luz . 
Sacrificaste toda a tua luz para me fazer brilhar, e hoje brilhas noutros horizontes.
Hoje sou eu que luto pela vida, para te manter dentro de mim, reservando os valores da nossa mamã África, como sempre me ensinaste.
E serei sempre o que sou, da "raiz até a folha" sem  nunca me esquecer de onde vim.

Vim de África e vim de ti.

Autora: Vanessa Neto