08 junho, 2016

Angola, minha mãe, sinto-te em depressão


Tua casa está tão desarrumada, mãe
tua casa construída com suor tratada como nada
Teus filhos estão tão desunidos, mãe
separados pelo dilema do ter ou não ter, a todo custo ser, a todo custo poder
mas podemos alguma coisa, quando não temos amor no coração?

Mãe, enquanto uns se riem outros choram
estarão a rir dos que choram ou do quão injusta é a vida?

Tua casa esta tão escura, minha mãe
teus filhos pedem ajuda porque a escuridão dói
Só não nos disseste que a dor doía tanto, a dor magoa muito, mamã

Se dentro de casa não há esperança diz-nos aonde ir busca-la?
Se dentro de casa temos fome, diz-nos onde iremos comer?
Se dentro de casa temos medo, diz-nos, mãe, onde está a paz
Se dentro de casa só há doença, diz-nos onde fica aquele lugar
onde a saúde não custa tanto quanto a nossa própria vida?

Tua casa virou desgraça, mamã
Tua casa, mãe, nossa casa está um buraco negro,
onde pisamo-nos para tentar chegar ao topo e então respirar
Se dentro de casa o nosso irmão nos mata,
viemos pedir que ganhes braços e então nos mates tu
assim como nos pariste
sai desta depressão e nos oferece ao menos a morte
que venha então a morte, mamã, mas com um pingo de dignidade!

Autora: Suely Soares