29 junho, 2016

De quases nenhum amor se fez


Sobe as escadas, mas antes do final tropeça e cai, era sempre assim, com as escadas, com a vida, com os testes na faculdade, com tudo. Ou era ela, que era pessimista demais? Talvez...
Mas sempre que parasse para analisar, Manucha resumia a sua vida em altos rigorosamente seguidos por baixos, altos e tão logo baixos, bem altos e logo a seguir bem baixos, estava cansada de tanto balançar!
Queria uma vida mais normal, como a da sua melhor amiga Clara ou a da sua prima Cheila. Tanta vida para Deus me dar e ele dá-me logo a minha? pensava...
Sonhava ser bem sucedida como jornalista, namorar um homem inteligente e famoso e quase foi assim, não foi? Mas quase, sempre quase...
Com ele, uma vez na vida ela teve esperança que não fosse quase, porque amanhã, futuro e pra sempre, eram palavras usadas por ele constantemente,
e ela queria, nunca quis tanto algo ou alguém. Quem sabe desta vez Deus me deixa ser feliz de vez, não quase, chega de quases por favor!
Foi quase perfeito, os momentos foram intensos, foi quase amor. Não no coração dela, neste o sentimento pulsava, fervia, rasgava-se de amor verdadeiro. Mas no dele, ah! No dele até hoje nem ele sabe dizer. Foi quase tudo, foi quase intenso, foi quase o certo, mas deixaria dor, foi a loucura mais louca que ele já havia cometido e a ternura mais terna que ele já havia sentido, mas se ficasse a teria ferido.
E veio a vida, a família, aquela missão de serviço para Noruega, sei lá! Quase deu certo, quase que seria perfeito, se ele esperasse ou desse um jeito, mas era tempo dos baixos, disse-o ela, vai, podes ir mas vai de vez! E ele, ah! Ele assim o fez...
Não era amor, era quase e com quases nenhum amor se fez!
Ou foi ela pessimista mais uma vez? Pode ser, talvez...
Depois disso, surpreendeu a si mesma e não se deixou abalar
Na verdade, não era a presença de um amor, que a impediria de amar
não precisava terminar a faculdade para poder definir quem ela era na realidade, então disse pra si mesma:
Sou humana, sou mulher, sou pecado, sou pureza,
não sou quase com certeza, sou beleza e fortaleza,
sou presença, sou alteza.

E de uma coisa sabia de facto, de então em diante só permitiria altos...

Autora: Suely Soares