20 junho, 2016

O abismo que é a rotina



Ele está diferente. Já não é o mesmo de antes, do começo da nossa relação, quando tudo era  perfeito.  Conversávamos durante horas, trocávamos várias mensagens de amor, falávamos sobre tudo não havia tabus muito menos segredos entre nós. fazíamos vários planos e trocávamos varias juras de amor eterno.  Nos seus braços me sentia protegida, imune de todo mal, nada me atingia, sentia como se o mundo fosse feito só para nós os dois. Vivíamos um verdadeiro conto de fadas, todos  elogiavam a nossa relação,  mas é claro que havia também aqueles que a invejavam. Mas isso era irrelevante, para nós os maus eram apenas  detalhes. Mas o tempo foi passando a distância e as desculpas foram  aumentando, eu fingia que não via nada, e preferia pensar que era apenas uma fase, afinal todos os casais tinham uma. E fantasiava cada dia mais com o meu mundinho cor de rosa que apenas eu enxergava. Para ele o rosa do nosso mundo estava desbotando quase a transformar-se em um cinza profundo.
Naquele momento a nossa relação mais se parecia com um céu nublado com as nuvens carregadas só a espera  do momento certo para cair a maior tempestade já vivida por ele. Mas eu continuava a acreditar em um milagre que fizesse com que aquelas nuvens carregadas fossem evaporadas num passe de mágica.
O vazio dentro de mim só aumentava e o oceano que nos separava se alongava cada dia mais. Ele mal  olhava para mim, éramos praticamente dois estranhos a viver na mesma casa , tentando partilhar o pouco de ar puro que restava naquele suposto" lar" que era mantido por mera formalidade. Sempre me questionei sobre o momento exacto em que a nossa relação enveredou para esse caminho. Mas sinceramente não achava as respostas, porque foi tudo tão rápido. E a gota d'agua aconteceu ontem que foi o dia do nosso 5° aniversário de casamento quando acordei cheia de vontade de reaver a nossa relação preparando um jantar especial em comemoração a data e assim quebrar aquela rotina, e ele nem sequer  lembrou que dia era, fez como todos os dias: chegou, comeu e foi deitar-se , e eu como sempre desatei em lágrimas até adormecer.
Mas aquelas lágrimas foram as última que eu estava disposta a derramar por essa relação. Despertei disposta a por um fim em tudo e dar uma chance para a minha própria felicidade. Percebendo que o momento mais forte do amor é quando sabemos que ele precisa morrer mas não temos forças  para matá-lo. Então me fiz de forte e matei todo amor, todas as lembranças e todos os laços que nos uniam.


Autora: Aurea Assíduo