13 junho, 2016

O símbolo da minha traição


Guardo comigo as lembranças dos dias que passei ao teu lado. O teu cheiro ainda está entranhado nas minhas vestes, o teu batom na minha camisa, o som da tua voz nos meus ouvidos, o desenho perfeito da tua silhueta ainda é a minha visão preferida. Guardo comigo todas as noites de amor; quando nos enrolávamos nos lençóis e eu me perdia nas tuas curvas. A tua pele macia deslizava sobre o meu corpo, que o recebia com tanto prazer que eu chegava a sufocar-me; o meu corpo ansiava por estar colado ao teu. 
Em cada centímetro do teu corpo eu encontrava a minha razão de viver, cada suspiro teu revitalizava o meu ser, e o meu amor por ti crescia  cada vez mais. Ainda sinto o gosto dos teus lábios molhados, do toque suave dos teus dedos no meu rosto. Quando acordo, eu vejo-te deitada na cama a dormir com um sorriso preguiçoso nos lábios que outrora era a minha perdição.  A vontade de afagar os meus dedos no teu cabelo, de ter o teu  corpo enrolado no meu abraço e de enxugar as tuas lágrimas com os meus beijos cresce a cada dia. Saudades do teu olhar. Ah! os teus olhos... são os que mais falta me fazem. Nós nunca precisamos de palavras quando estávamos juntos, porque o nosso olhar era o meio de comunicação e eu me perdia naqueles olhos grandes cor de mel. Amávamo-nos  através deles, discutíamos através deles e nos perdoávamos neles. Até naquele triste dia, que me dói a alma só de lembrar, quando  foste embora só o teu olhar bastou para eu saber que não teria volta... e desde aquele dia o meu olhar se apagou, porque já não tinha o brilho dos teus.  O som do televisor permanece no mínimo porque todos os programas perderam a graça sem ti, todas as músicas que ouço parecem descrever-te, a nossa mobília permanece tal como  deixaste, o meu café que com tanto amor preparaste ainda se encontra sobre a mesa e a nota do hotel que encontraste em minhas vestes  encontra-se na porta do quarto, no mesmo sítio em que a deixaste cair, ela é agora o símbolo da minha traição e da tua partida... e eu obrigo-me a olhar para ela todos os dias como forma de penitência, e revivo as lembranças através das minhas pálpebras  sob o efeito da minha terceira garrafa de uísque, embebedando-me no meu arrependimento.
Autora: Aurea Assiduo