10 junho, 2016

Uma Angústia


Porque chorar o riso que transborda do coração é só o que me resta. Acolher o tempo, ser paciente com o chega perto do peito. Eu me vejo na entrega constante, doando demais o que é tão pequeno dentro de mim, e que se expande aos outros. Eu me sinto tão pálido na paisagem de breu que criam ao meu redor -- que mundo é esse? E que felicidade é essa tão difícil que não me deixa sorrir? O mundo não me deixa sorrir. Eu vejo flores, vejo luzes, vejo rostos que sorriem bonitos, vejo a paz de uma folha que recebeu o orvalho, vejo, enfim, a beleza que me roubam todos os dias. Não, não... eu mesmo só pego emprestado, porque devolvo de volta, e com juros, o meu coração limpo. Estou tão cansado de procurarem pelo o meu rosto, quando o que quero mostrar não está na superfície. E me pergunto se a felicidade que arrastam pelas ruas é a que querem, a que merecem, a que aprenderam a ter, aquela que sequer jamais procuraram descobrir. Não é um labirinto, não há ninguém perdido -- apenas confusos, cegos pela falta da luz. Impassíveis. O mundo em que vivem, pelo qual eu não sorrio, não é real.
Autor: Geraldo Gomes