28 julho, 2016

A outra


Mais uma vez vejo-me arrastada de volta para esse círculo interminável de promessas quebradas e corações dilacerados. Eu sofro com esse amor, melhor, sofro com essa ausência de amor. Os problemas começam quando toco no assunto divórcio, quando pergunto se já deu entrada nos papéis. Nesses momentos eu percebo que serei sempre o plano B, o pneu de socorro, o escape para seus problemas conjugais. Serei sempre a OUTRA. 

Não importa o que eu faça eu serei sempre aquela à quem ele recorre sempre que a mulher não quer ou pode satisfazê-lo e em alguns momentos vejo minha razão a ser traída pelo coração que tenta ajustar-te á essa situação quando ouve os pedidos de desculpas que ele faz um dia depois de termos trocados todos os tipos de palavras ofensivas, quando sente-se acalentado por seus beijos eloquentes, pelas carícias em partes de meu corpo que só ele conhece e sabe o jeito certo de tocar cada uma delas.

Sei que para ele isso tudo talvez não passe de algo físico, uma relação puramente carnal, mas para mim... Ah! Eu coloquei o coração na frente, sabia que ele era proibido para mim, mas ainda assim arranjei todo o tipo de desculpas para seduzir minha consciência e fazê-la ignorar todos os meus princípios morais e cada dia é-me mais difícil deixo-lo ir e libertar-me desse círculo infindável de muita dor, muitas lágrimas, muito tormento, pouco sossego, alguma emoção e nenhum amor.

Autora: Bereznick Rafael