27 julho, 2016

Perdidos no Encanto


Eu sei que eu não estou bem, mas também sei que pode ficar pior. Na verdade me pergunto e não tenho uma resposta, não sei para onde devo ir, agora que cheguei aqui, eu só quero ser feliz! Mas como? Se a todo momento sinto que preciso de algo melhor, que mereço algo melhor...
Sempre acreditei que o melhor pode ser qualquer coisa, desde que recebamos tal coisa com alegria, mas de repente eu já não me sinto completa em tua companhia, tuas piadas já não me causam risadas e quando estas longe eu já não sinto saudades...
Pergunto a Deus se esta é a minha ultima chance, pois acreditava que depois de ti nunca existiria uma outra oportunidade, 
porque tu eras um fim a iniciar, eras a outra metade que estava a faltar, eras o meu sorriso após um dia cansativo e agora, parece que do nada tu não és mais nada.
Uma vez disseram-me que podemos confundir encanto com amor, mas eu nunca acreditei! O encanto acaba mas o amor se mantém, quando ele existe, ele persiste...
Custa-me aceitar que o amor não nos encontrou, nunca nos saudou, muito menos acompanhou. Aqueles momentos doces, aqueles abraços fortes, aquela saudade enorme, era tudo fruto do encanto e o encanto acabou!
Eu já não sei o que é sorrir contigo, eu já nem sei sequer se somos amigos, perdi a certeza de que encontrei o homem da minha vida e encontro-me muitas vezes a pensar em como seria o dia da despedida... Despedida do peso, da obrigação, do fazer por fazer.
Não sei se é este o fim, pois adiei tanto este momento. Nós amamos a ideia de ter um amor verdadeiro, uma relação de invejar, mas esquecemos de nos amar, deixamo-nos embalar, na rotina diária de querer provar ao mundo que somos capazes de manter um ao outro por perto. E tentamos, e provamos, deixamo-nos expor como uma peça de vidro na montra, que só é admirada enquanto lá esta, mas corre o risco de se partir no primeiro toque mais intenso. Hoje, nem fingir mais conseguimos, o encanto foi embora mas a coragem de admitir não o veio substituir. Parece um crime dizer ao mundo que
as coisas mudaram, que já não temos a oferecer aquele amor no qual eles sempre acreditaram. Vem o medo de sermos julgados, desacreditados, vistos como incapazes. Mas de certa forma é isto que nos tornamos. Incapazes, de assumir que já não há mais longas conversas ao telefone, nem horas e mais horas juntos, nem planos, nem amor, até a ilusão nos deixou, acabou.
Eu quero mais de ti, e tu queres mais de mim, mas já não temos nada a dar um ao outro. É tão difícil aceitar que pode ser o nosso fim! E se for?

O que será de mim?

Autora: Suely Soares