13 julho, 2016

Quando o príncipe vira sapo


Ela não sabia que podia amar e odiar alguém ao mesmo tempo, até o conhecer! Juntos, perdidos, na cave do Hotel Morangos sem saber como chegar a porta pra recepção... Ele olhou pra ela e sorriu:
— Companheira, estamos perdidos.
Ela por momentos não percebeu, sinceramente pensou que não fosse com ela embora não houvesse ninguém mais ali.
— Companheira?— Pensou... ''o pessoal esta cada vez mais abusado nesta cidade''. E ele outra vez: 
— Se não encontrarmos a saída, ficamos aqui. Tenho a certeza que também não seria mau.
Olhou pra ele: 
— Mas está a falar para mim?
— Jura que vês mais alguém aqui?
— E ainda por cima é parvo!
— Tu é que és linda!
— Chacheiro barato!

E nunca mais deixaram desta troca de palavras, um dizia amo-te e outro odeio-te ao mesmo tempo. Ela era convencida demais para admitir que este homem mexeu com ela como há muito não acontecia, e ele era eloquente demais para não sorrir e não demonstrar que a queria, desejava-a por tempo indeterminado. Quando tiveram de trocar números, ela deu e disse "mas não ligues pra mim", desta vez ele não sorriu mas soltou gargalhadas...
Chamava-a de doçura, encanto, sorte, ternura, céu e vida. Ela chamava-o de mentiroso, feio, parvo, na tentativa de não dizer "já te amo". 
Tentou não se entregar, tentou não investigar a vida dele já que era perita em procurar agulha na palha... Mostrou a foto dele a uma amiga e lá foram ver o perfil no facebook...
Fingiu não se espantar, mas seu coração partiu um pouco quando viu nas informações pessoais que este príncipe já era noivo!

Autora: Suely Soares