12 agosto, 2016

Nimbus


Nimbus, "nuvem", mas especificamente a nuvem que carrega a água da chuva e vai logo desmoronar. A nuvem é um sólido que não se toca: você resvala os dedos na pele da nuvem simplesmente para encontrar ar e água. A nuvem é inconstante e se permite ser flexível, e é um ser de extremos: ou acalma ou é caótica. Quando não está por perto, o clarão é quase de cegar; em excesso, é uma escuridão pesada e solitária. Gostam de ser admiradas e essa é basicamente uma das poucas vaidades que possuem, porque preferem trazer a sombra. Dentro de uma nuvem, porém, é um caos de átomos que se cruzam, se chocam, se desencontram e se distanciam. A reação que as pessoas enxergam depende de como esses átomos se configuram. Por maior parte dos dias as nuvens serem pacíficas e aparentemente inofensivas, as pessoas se deixam acreditar que não há muito ocorrendo dentro daquele recipiente de vida. Mas ocorre, e às vezes não dá para controlar. E então há a chuva. Nimbus.
Mas é preciso que a nuvem se deixe ver.
A nuvem tem vontade própria.
E é teimosa.
Autor: Geraldo Gomes