29 agosto, 2016

Perdoar não é sinônimo de esquecimento


Hoje alguém me disse que não estavas bem. Disse ainda que, desde aquele final de semana, choras pelos cantos e vagueias pela cidade feito um sem teto, sem era nem beira. Isso partiu o meu coração e por um instante desejei nunca ter dito nada do que disse naquela noite... mas tu bem sabes da minha forma impulsiva de agir quando estou nervosa. Confesso que desejei recuar o tempo e ter sido mais flexível, e não me ter comportado como uma louca compulsiva. Porque só de te imaginar a chorar e saber que o motivo das tuas lágrimas sou eu, fico despedaçada. Desejei estar ao teu lado para enxugar as tuas lágrimas, abraçar-te e colar o meu rosto no teu por alguns muitos minutos, sentir a tua respiração de perto e sentir nossos corações batendo no mesmo compasso... mas tu apunhalaste-me pelas costas, e ver-te nos braços de outra...Ah! Isso acabou comigo.  Confesso que algumas vezes tentei procurar-te para saber como estavas, mas o meu orgulho não me deixou fazer isso; e não sei se ainda lembras mas o meu orgulho quase sempre, ou mesmo sempre, age por mim. Se calhar é por  isso que sempre perco quem eu amo ou quem penso amar; "Porque eu ainda te amo" e perdoo-te, o que não quer dizer que esqueci e muito menos que te quero de volta. Eu não merecia isso! Não depois de praticamente ter me doado a ti. Por isso prefiro conviver com a dor de te perder e ver-te sofrer, do que conviver com a insegurança de uma próxima traição.


Autora: Áurea Assíduo