15 agosto, 2016

Saneamento básico afetivo



Existe um período de limbo e trevas após o rompimento de um relacionamento do qual a maioria das pessoas foge aterrorizada como se fosse horrível e desnecessário. Sejamos francos, horrível e doloroso realmente é, mas a boa notícia é que essa reclusão é útil e muito necessária para seu refazimento enquanto indivíduo.
Quanto mais tempo passa-se ao lado de alguém convivendo e vivendo, aprendendo a ceder e retroceder, mais tempo levará para você voltar a saber quem é, pois nesse período de união o casal como que cria uma identidade conjunta onde ambos em nome da durabilidade e paz da relação, adotam uma “semi-personalidade”, ou melhor,  torna-se uma versão light de si mesmo, excluindo, mudando, limitando e muitas vezes ocultando partes de quem se é na ânsia de ser aceito pelo ser amado. Esse processo é natural e inconsciente, e muitas vezes a pessoa “adulterada” realmente precisava aparar umas arestas do próprio modo de ser e pensar, faz parte da vida adulta, não se culpe por moldar-se ao outro, desde que não perca de vista quem realmente é.

Esse saneamento que dá título ao texto é exatamente essa retomada das partes de você que não deveriam ter sido retiradas, daquelas que são parte da sua essência, é a caminhada de volta para casa, muitas vezes perdido, sem saber onde ir, por que ir e quando chegará. A limpeza do coração antes de começar um novo envolvimento, aumentará as chances de seu próximo amor ser o último, porque você terá tido tempo de desvincular sua vida e mente da antiga união, terá tido tempo de enterrar as mágoas e cicatrizes que te marcaram, sem transferir para uma nova pessoa as dores e sofrimentos de outros tempos, sem comparar insistentemente uma pessoa com outra a todo momento. Então coragem nessa hora, incorpora o personagem de empregada e nada de jogar a bagunça para debaixo do tapete.

Se quiser chorar por meses chore, se quiser ficar quieto dentro de casa fique, se quiser viajar e mudar tudo na sua vida mude, faça o que for preciso para achar seu antigo eu no fundo desse baú, mas evite tomar decisões precipitadas e imaturas, faça o que tem vontade a muito tempo e não o que surgiu na mente assistindo TV ou lendo um livro. Não deixe que te arrastem para lugares e pessoas para fugir dos seus próprios sentimentos e recomeço. A felicidade não é uma ditadura e nem uma constante, não há nenhuma vergonha em sofrer. Abrace seu coração ferido, abrace sua dor, se despeça e siga em paz pronto para a próxima flecha do cupido.

Autora: Laine Ferreira