04 agosto, 2016

Um amor clan(destino)


Mais uma vez a vergonha toma conta de mim, com as mãos na cabeça pergunto como submeti-me sempre a isso e novamente, como das outras vezes, prometo que essa foi a última vez, mas no meu íntimo sei que é uma promessa que durará menos de duas horas, porque quando ele liga, meu coração pula e meu corpo vibra, não consigo resistir e corro novamente para os braços daquele homem que muitas vezes entende meus desejos melhor que o homem que escolhi para casar e volto a ser a mulher adúltera que muitas vezes condenei.

Sempre fui o tipo de mulher que caminha sobre aquela linha tênue do que é moralmente certo, nunca deixei meu coração bater por alguém por quem não pudesse ter algo mais, jamais deixei que meus pensamentos fossem preenchidos por imagens de noites de prazer com um homem que não fosse aquele que escolhi para amar, nunca, até ele chegar.  


De repente tudo mudou, e eu fico aqui por vezes a tentar entender em que parte do caminho meu coração deixou-se dominar por esses sentimentos, eu me vejo em seus braços completamente entregue, sinto nossos corpos a enroscarem-se nas frias noites desse inverno infinito, eu sinto meus pensamentos a viajarem pelas lembranças de noites de prazer em que ele quase fez-me tocar o céu, e às vezes eu desejaria que isso não passasse de mera atração física impulsionada pelo gosto musical que temos em comum, gostaria que fosse um caso mais, algo que eu pudesse facilmente deixar para trás, mas dentro de mim eu sei que não é tão simples assim, o que existe entre nós e desejo, paixão, tesão e luxúria sim, mas eu sei que entre nós existe amor, um amor que por ter chegado no momento errado é manchado por esses encontros clandestinos em bares e hotéis de quinta categoria.

Autora: Bereznick Rafael