02 agosto, 2016

Um novo amor



Tocava aqui dentro, alto  e em bom som, música pop (um ritmo acelerado, que não deixa ninguém parado); lá fora, bem por detrás da parede que fazia ligação com o meu quarto, ouvia-se tango( ritmo tão lento, que dançava com a minha respiração). Eu estava no meu mundo, completamente viciada com o ritmo a que este mesmo seguia. Por isso estava sozinha até então, o volume do som estava tão alto e eu tão centrada no meu mundo, que não conseguia escutar a mais ninguém, de maneira alguma.
Era impossível pensar num outro ritmo, pois estava somente com uma música na cabeça, quanto mais conseguir escutar as duas em simultâneo!
Eu queria quebrar aquela parede, para que alguém pudesse entrar, queria que alguém chegasse e me convidasse para dançar. Mas não acontecia, e mesmo assim eu não me apercebia, o porquê do amor não bater na minha porta, e não permanecer ninguém na minha vida.
Certo dia, eu percebi que quem estivesse de fora, jamais conseguiria seguir as notas musicais que se fizessem ouvir aqui dentro, e impedia-as  de perceber o que realmente todo aquele ruído, carregava consigo.
Era impossível alguém que procurasse sossego, tentar entrar num ressinto com tanto barulho. Toda a gente que se aproximava, voltava. E quem tentasse entrar, ficava por ali mesmo.
Eu já me tinha apercebido disto há bastante tempo. Mas no meu grandioso orgulho, sem querer admitir que para estar em sintonia com alguém, precisaria de baixar o volume do meu som, para que o mesmo fizesse uma boa ligação com outrem e fosse possível criar um novo ritmo, fui baixando-o gradualmente: dia após dia. À medida que baixava o som, percebia que tocava do outro lado, um outro ritmo. A parede que dividia os dois "mundos" foi se rachando aos poucos até desmoronar-se por completo. A sintonia que conversava entre os dois diferentes ritmos, ambos no mesmo volume, fez com que tudo o que os separasse caísse por terra.
Ele entrou, e dançou aquele novo ritmo comigo, um ritmo que nós tínhamos acabado de criar . Só estando em sintonia se pode dançar. Eu jamais conseguiria dançar tango com ele, se continuasse somente centrada no meu pop, e ele vice-versa. Se cada um de nós emite um som, porque não criar um novo ritmo com essa mistura? Intercedem-se os pontos, baixa-se o volume, e tem-se uma nova música.
Ritmos vão existir muitos já pré definidos e nunca serão iguais . A tua maneira de pensar, e personalidade não tem que ser uma música tocada a certo volume de tal modo que, abafe qualquer outro.
Ninguém tem que calar o ritmo que toca em ti, deixe que ambos os ritmos conversem, toque baixo, de forma a permitir a quem esteja de fora, a consiga ouvir bem de maneira a que,  contigo , possa criar um novo ritmo. Pois, somente em sintonia, o amor prevalece. 

Autora: Vanessa Neto