20 novembro, 2017

Algo




Não me ames pelo que tenho a oferecer. Porque um dia isso escorrega-me das mãos. Não admires a capa, esta um dia irá envelhecer, empoeirada e apodrecida.
Antes de tudo, permanece ao meu lado pelo desconhecido. Abraça-me, movido por não sei o quê.
Não-sei-o-quê.
É isso que nos mantém vivos: A incerteza, a dúvida, o ponto de interrogação. Afinal, se fossemos conhecedores de todas as ciências, pelo que seria movida a nossa existência? Se tivéssemos todas as respostas por que nos cansaríamos neste ciclo vicioso que é a vida? Ama-me, sem saber porquê. Deseja-me, sem querer saber.
Vive, assim: A procura do que te faz querer ficar; A prolongar o toque e o beijo... A adiar a descoberta do adeus. Continua a olhar para mim, apaixona-te pelo meu sorriso enigmático, e observa-me a dançar com o vento... Conversa com a lua e pergunta para todos os seres do universo: ''Qual é o segredo? Ela não é tão bonita, nem tão inteligente, não é uma deusa. Mas... Hmm... Ela tem algo.''
Sim.
Algo.
O algo é que nos conserva.
O algo nos eterniza.