08 agosto, 2018

Prefiro sofrer nos teus braços do que no vazio do meu quarto


Luto todos os dias para me livrar das amarras que me deixaste. Faço de tudo para não sentir o teu cheiro em cada peça de roupa, ouvir as tuas promessas em todas as músicas. Já não quero ver o teu rosto em qualquer estranho com quem me cruzo, e sentir o sabor amargo do desamor no céu da minha boca. 

Tenho lutado para me livrar do passado que partilhamos, mas não tem sido fácil saber onde pertence cada peça deste quebra-cabeças. O meu corpo já não reconhece o meu próprio toque, a minha vida tornou-se monótona sem os surtos de ansiedade e as dúvidas constantes que a tua presença me trazia. Eras tu que davas adrenalina à minha vida pacata.

Eu quero seguir em frente, mas é como se tocasses no meu ombro e me pedisses para olhar para trás. Queres-me por perto, não porque me amas mas porque amas ter acesso à mim... amas a sensação de te sentires o mundo de alguém, de seres o meu primeiro pensamento e a minha última esperança. 

Não venhas ter comigo novamente, por favor. Não me quero magoar outra vez. Por mais que eu corra e me esconda, tu sempre me encontras, e como um fantasma tiras o meu sono, destróis os meus sonhos, roubas-me a luz, roubas-me o coração só para o torturar mais um pouco... 
Queres fazer amor, mas és covarde demais para falar sobre ele.

...

E eu entrego-me à ti mais uma vez, porque prefiro sofrer nos teus braços do que no vazio do meu quarto. Por isso, deixo-te torturar-me enquanto invento desculpas para a tua ausência. Amo por nós os dois enquanto deixo-te torturar-me mais um pouco... um pouco que dura para sempre.